Eleição 2026Lula se torna o primeiro presidente eleito em toda a história do Brasil a conseguir uma virada contra o adversário no 2º turno
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% do adversário, aos 96% das urnas apuradas, Lula conquistou seu quarto mandato como presidente do Brasil.
A vitória garante a permanência de Lula no Palácio do Planalto até 31 de dezembro de 2030. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que disputou a reeleição na mesma chapa, também permanecerá no cargo.
O resultado encerra uma disputa na qual Lula precisou recuperar uma desvantagem de mais de 2,2 milhões de votos registrada no primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente.

Falta de ônibus e decisão do STF marcaram o dia da eleição
A votação deste domingo foi marcada por denúncias de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento de eleitores em diferentes regiões do país. Houve reclamações em cidades como Salvador, São Paulo, Recife e São Gonçalo (RJ).
Em Salvador, o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou a circulação integral da frota de ônibus, com frequência equivalente à dos dias úteis. O Procon estadual informou ter encontrado 370 veículos parados em quatro garagens durante uma fiscalização.
A Justiça Eleitoral também determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após constatar a redução da circulação de ônibus. A Prefeitura de Salvador atribuiu parte dos problemas à colocação de adesivos de propaganda eleitoral nos veículos e informou que havia determinado a liberação dos coletivos.

Presidente Lula cumprimenta apoiadores (Foto: Flickr/Lula)
Em São Paulo, uma decisão judicial determinou a circulação de 100% da frota após denúncias de redução do transporte. No Recife, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco ordenou o restabelecimento da oferta de ônibus e do funcionamento regular do metrô.
Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, passageiros relataram longas esperas nos pontos e redução da circulação de veículos em linhas municipais e intermunicipais.
As reclamações levaram as campanhas presidenciais a recorrer à Justiça. A coligação de Lula pediu a prorrogação da votação em todo o país, sob o argumento de que a falta de transporte havia impedido parte do eleitorado de chegar às urnas.
A campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou a ampliação do horário em municípios atingidos por chuvas, alagamentos e problemas de deslocamento.

Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (Foto: Flickr/Lula)
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu o pedido de extensão do horário e determinou que a votação prosseguisse até as 19h, duas horas além do previsto inicialmente.
A decisão provocou uma interrupção temporária na totalização dos votos e exigiu esclarecimentos sobre as seções que já haviam encerrado o atendimento.
Zanin explicou posteriormente que a prorrogação valeria apenas para os locais onde as urnas ainda estavam abertas às 17h. As seções encerradas não poderiam ser reabertas.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais a cumprir a determinação nesses termos. O recebimento dos boletins de urna, a totalização e a divulgação dos resultados foram retomados após as 19h.
Como foi a eleição: PT subestimou Flávio e precisou reagir no segundo turno
A campanha de Lula começou a disputa presidencial em posição mais favorável nas pesquisas de intenção de voto. Na reta final do primeiro turno, o petista ainda aparecia numericamente à frente de Flávio Bolsonaro na maioria dos levantamentos nacionais.
O resultado de 4 de outubro contrariou a expectativa da direção petista. Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões de Lula, e terminou a primeira etapa da eleição com vantagem de 2,2 milhões de votos.

Flávio Bolsonaro ao lado de Nikolas Ferreira e do governador de MG, Cleitinho (Foto: Flickr/Flávio Bolsonaro)
A candidatura de Flávio havia sido inicialmente tratada por integrantes do PT como uma alternativa mais fácil de enfrentar do que a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também considerado um possível candidato da direita à Presidência.
A avaliação era de que o senador teria dificuldades para ampliar seu eleitorado e poderia perder força durante a campanha. Por isso, a estratégia inicial de Lula deu maior destaque às realizações de seus governos do que ao confronto direto com o adversário.
Após o primeiro turno, integrantes da campanha reconheceram que haviam subestimado o crescimento de Flávio. O próprio Lula admitiu que esperava vencer a eleição já em 4 de outubro.
O presidente reuniu aliados e dirigentes partidários no dia seguinte à votação para discutir mudanças na estratégia. A campanha decidiu ampliar os ataques políticos a Flávio, intensificar a presença de Lula nas ruas e reformular a comunicação nas redes sociais.
O petista passou a participar de debates com o adversário e a gravar vídeos mais curtos e diretos para circulação na internet.
André Janones e o “Exército do Lula” ganharam espaço na campanha
Uma das principais mudanças ocorreu na mobilização digital. O deputado federal André Janones (Rede-MG) passou a utilizar o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, para organizar apoiadores e ampliar a divulgação de conteúdos favoráveis ao presidente.
O canal, criado meses antes da eleição, tinha cerca de 50 mil seguidores antes do primeiro turno. A partir de 5 de outubro, Janones intensificou sua utilização na campanha e passou a convocar os participantes para atividades nas redes sociais.

André Janones, um dos principais responsáveis pela vitória de Lula (Foto: Flickr)
Os seguidores recebiam orientações para compartilhar vídeos, divulgar publicações e participar de mobilizações virtuais. Em poucos dias, o canal ultrapassou 1 milhão de inscritos.
A estratégia também provocou uma reação da campanha de Flávio Bolsonaro, que passou a divulgar a “Tropa do Flávio”, canal de mobilização digital apoiado por aliados como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Na sexta-feira (23), o “Exército do Lula” alcançou 10 milhões de seguidores no WhatsApp, conforme levantamento do Poder360. O crescimento levou a campanha petista a incorporar a iniciativa às suas atividades oficiais.
Lula participou de transmissões com Janones e agradeceu publicamente a mobilização. Na madrugada de sábado (24), após o debate da TV Globo, o presidente voltou a participar de uma live do deputado e pediu aos apoiadores que mantivessem a atuação nas redes até o dia da votação.
A campanha também promoveu manifestações de rua, encontros com influenciadores e atividades voltadas à mobilização dos eleitores que não haviam comparecido às urnas no primeiro turno.
A reorganização ocorreu ao longo das três semanas que separaram as duas votações. Nesse período, as campanhas de Lula e Flávio intensificaram a propaganda eleitoral, os debates e as disputas sobre informações divulgadas nas redes sociais.
O resultado deste domingo definiu o ocupante da Presidência para o período de 2027 a 2030.






