PoliciaUma mulher de 24 anos foi resgatada na sexta-feira (21) em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, depois de passar cinco dias acorrentada e amordaçada dentro de um imóvel usado como cativeiro. O ex-marido dela foi preso em flagrante por sequestro e cárcere privado.
O resgate foi feito por policiais militares da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste. Segundo a Polícia Militar de Goiás, a vítima estava presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro. Ela também usava uma máscara no rosto, colocada para que os vizinhos não ouvissem os gritos.
O suspeito foi identificado como Ailton Rodrigues de Souza. A Polícia Civil de Goiás apura o caso, que envolve relatos de estupro e de uso de sedativos contra a mulher. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Metrópoles, com base em dados da corporação.
O que a polícia encontrou no cativeiro
A família havia registrado o desaparecimento na segunda-feira (17). A mulher saiu de casa para uma consulta e não voltou. Pela versão apresentada pela PM de Goiás, ela foi levada pelo ex-companheiro depois de deixar o estabelecimento comercial onde esteve e passou o período seguinte sedada, sem conseguir pedir ajuda.
O intervalo entre o desaparecimento e o resgate é o dado que define a gravidade do caso: cinco dias de privação de liberdade dentro de um imóvel residencial, em uma cidade que faz divisa com o Distrito Federal e concentra parte do fluxo diário de trabalhadores que se deslocam para Brasília.
Pontos confirmados pela corporação até agora:
- a vítima tem 24 anos e é ex-companheira do suspeito;
- o resgate ocorreu na sexta-feira (21), em Águas Lindas de Goiás;
- ela estava contida por algemas, cordas e corrente de ferro;
- o desaparecimento havia sido comunicado pela família na segunda-feira (17);
- o suspeito foi preso em flagrante por sequestro e cárcere privado;
- a apuração seguiu para a Polícia Civil de Goiás.
Privar alguém de liberdade é crime autônomo no Código Penal, independentemente de outras condutas apuradas no mesmo episódio. O artigo 148 descreve a conduta em uma frase curta:Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado. Pena: reclusão, de um a três anos.
A pena sobe quando a vítima é cônjuge ou companheira do autor, quando o crime dura mais de quinze dias ou quando há maus-tratos. Como o caso envolve ex-companheiro, a apuração corre no âmbito da Lei Maria da Penha, que trata a violência doméstica e familiar contra a mulher como uma categoria própria, com medidas protetivas de urgência.
Onde pedir ajuda no DF e no Entorno
O entorno goiano tem dinâmica de segurança distinta da do DF: a resposta é feita pela Polícia Militar e pela Polícia Civil de Goiás, e não pelas corporações do Distrito Federal, ainda que a vida cotidiana das duas regiões seja integrada. Quem mora em Águas Lindas, Novo Gama, Valparaíso ou Cidade Ocidental precisa acionar os canais goianos, e quem mora no DF aciona os locais.
Os canais disponíveis para denúncia e para pedido de medida protetiva:
- 190 — emergência policial, em Goiás e no DF, para situação em curso;
- 180 — Central de Atendimento à Mulher, nacional, gratuita e 24 horas, inclusive para denúncia anônima;
- Delegacia da Mulher — no DF, as Deams registram ocorrência e pedido de medida protetiva; em Goiás, o atendimento é feito pelas delegacias especializadas da Polícia Civil;
- disque 100 — para violações de direitos humanos que envolvam crianças, adolescentes e idosos.
A medida protetiva não exige advogado nem custo, e pode ser pedida na própria delegacia no momento do registro. Ela funciona como afastamento imediato do agressor, com proibição de aproximação e de contato, e vale enquanto o juiz não decidir em sentido contrário.
Casos como o de Águas Lindas costumam ter um alerta anterior. Registro de ameaça, perseguição e descumprimento de acordo de guarda são os sinais que aparecem antes da escalada, e cada um deles já é motivo suficiente para acionar a delegacia. Leia também: Projeto do MPDET já atendeu 62 mulheres que sobreviveram a feminicídio.
O caso segue em apuração na Polícia Civil de Goiás, que deve concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público estadual. Até que haja condenação transitada em julgado, o preso responde na condição de suspeito.
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