Terça-Feira, 21 de Julho de 2026

Logo
Logo
Terça-Feira, 21 de Julho de 2026
POR: Equipe Valle
A atual seleção brasileira é o paradoxo de Teseu
Reflexão

Terminada a Copa do Mundo de 2026, o planeta voltou seus olhos para a Espanha, que conquistou o título mundial. A Argentina ficou com o vice-campeonato. Já o Brasil passou a ocupar apenas a 11.ª colocação no ranking da FIFA. Após uma campanha marcada pela falta de profundidade técnica e criatividade, a Seleção Brasileira foi eliminada ainda nas oitavas de final. Restou aos jogadores aproveitar os dias seguintes para passeios e lazer.

 

Diante desse cenário, algo me fez refletir acerca do Paradoxo de Teseu, uma das mais célebres reflexões da filosofia antiga. Segundo a mitologia grega, Teseu foi o herói que derrotou o lendário Minotauro na ilha de Creta. Antes da viagem, havia prometido a seu pai, o rei Egeu, que, caso retornasse vitorioso, substituiria as velas negras de seu barco por velas brancas. Entretanto, empolgado pela vitória, esqueceu de cumprir a promessa. Ao avistar as velas negras, Egeu, acreditando que o filho havia morrido e, tomado pelo desespero, lançou-se ao mar, que, segundo reza a lenda, passou a ser conhecido como Mar Egeu.

 

Em homenagem ao herói Teseu, os atenienses preservaram sua embarcação. Com o passar dos anos, porém, cada peça deteriorada pelo tempo era substituída por uma nova: o casco, as velas, depois o mastro, os remos e, sucessivamente, todas as demais partes do barco. Ao final, nenhuma peça original permanecia. Assim nasceu o famoso paradoxo: aquele continuava sendo o barco de Teseu ou havia se transformado em uma embarcação completamente diferente, nova.

 

Por analogia, conduzindo essa reflexão para o futebol, surge uma pergunta imprescindível: a atual Seleção Brasileira ainda é a mesma que conquistou cinco Copas do Mundo (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) ou estamos diante de uma nova seleção que apenas herdou uma história de glória e vitória, afundando na posteridade o importante título de país do futebol. Será necessário substituir as cores de nossa camisa amarela ou a mentalidade precificada de nossos jogadores de sangue europeu?

 

Samir Lima Habach