JustiçaA Justiça condenou o delegado da Polícia Civil Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues e o investigador Marcos Paulo Angeli a 10 anos e 6 meses de prisão, em regime fechado, por crimes de corrupção na Delegacia de Peixoto de Azevedo. A sentença foi assinada nesta quinta-feira (16) pelo juiz Guilherme Leite Roriz, da 1ª Vara da comarca.
Os empresários Sidney Carlos de Paula e Romildo Queiroz de Souza também foram condenados no mesmo processo. Cada um recebeu pena de 2 anos e 8 meses de reclusão por corrupção ativa. A decisão também decretou a perda dos cargos públicos de Geordan e Marcos Paulo, que deverá ser efetivada após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recurso.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o esquema foi descoberto a partir de apurações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Civil. As investigações apontaram cobrança e recebimento de propina para liberar bens apreendidos e conceder benefícios a presos dentro da delegacia.
Na sentença, a Justiça citou diálogos obtidos por captação ambiental autorizada judicialmente. Em uma das conversas, os dois agentes públicos discutiram a divisão de valores e usaram a expressão “fifty-fifty”, em referência à divisão igualitária do dinheiro.
A decisão reconheceu dois crimes de corrupção passiva envolvendo pessoas presas na delegacia em novembro de 2023. Em um dos casos, Geordan e Marcos Paulo solicitaram R$ 10 mil para que um empresário, preso em flagrante durante a Operação Hermes II, permanecesse em um alojamento com ar-condicionado e não fosse levado para uma cela comum.
Em outro episódio, os dois foram condenados por pedir R$ 9 mil para colocar em liberdade um homem preso por embriaguez ao volante. Segundo a sentença, a fiança oficial era de R$ 1 mil, mas os acusados teriam estabelecido o valor total de R$ 10 mil. A quantia da fiança legal seria descontada, e o restante dividido entre eles.
O juiz afirmou que as condutas demonstraram incompatibilidade absoluta com o exercício da função pública. Para o magistrado, os crimes se tornam ainda mais graves por terem ocorrido dentro da própria delegacia e envolverem a venda de atos de ofício e benefícios a custodiados.
Geordan foi condenado a 10 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de 210 dias-multa. Marcos Paulo recebeu a mesma pena. Já os empresários Romildo Queiroz de Souza e Sidney Carlos de Paula foram condenados a 2 anos e 8 meses de reclusão e 30 dias-multa cada um.
Fonte: Estadão Mato Grosso.
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