Quinta-Feira, 09 de Julho de 2026

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Quinta-Feira, 09 de Julho de 2026
POR: Equipe Valle
Reflexão:Perdemos a copa de 2026. A vida segue
Reflexão

Milhões de brasileiros viveram momentos de grande expectativa diante da possibilidade de nossa seleção apresentar um bom desempenho durante a Copa do Mundo de 2026. O resultado, entretanto, não foi o esperado. Com a derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1, fomos eliminados nas oitavas de final.

 

Mas, considerando um cenário hipotético, se o Brasil tivesse conquistado o hexacampeonato mundial, qual seria a real relevância dessa vitória para o nosso dia a dia? Viveríamos alguns breves momentos de alegria, comemoração e euforia coletiva. Talvez pudéssemos esquecer, por instantes que existe um mundo real, marcado pela dualidade entre o bem e o mal, pela felicidade efêmera e pela inevitável tristeza que pulsa intermitente.

 

O dia seguinte à derrota da seleção brasileira caiu justamente em uma segunda-feira. Parecia um amanhecer diferente. Faltava alguma coisa, o mundo estava vazio e o tempo, estático, como se o próprio sol contemplasse cada torcedor brasileiro, insinuando que vivemos em uma bolha de ilusões, imersos em uma dimensão imaginária.

 

A Copa do Mundo continua empunhando sua espada impiedosa, eliminando derrotados e alimentando o imaginário de diversas nações que sonham com o tão cobiçado troféu. O cerco se fecha, chegam as quartas de final, depois a decisão e, enfim, o campeão. Apenas uma seleção sul-americana, a Argentina, nossa eterna rival, permanece na competição, despejando toda sorte de chacotas sobre os brazucas (brasileiros).

 

A Noruega aguarda seu próximo adversário, os ingleses. O grande Haaland projeta-se como um deus da mitologia nórdica, talvez o próprio Thor, o deus do trovão. Na verdade, ele nem precisou recorrer aos seus poderes para marcar dois gols e eliminar a seleção brasileira. Pensando bem, talvez tenha invocado outra divindade mitológica: Morfeu, da mitologia grega, o deus do sono, que pareceu dominar o estado de alerta e de atenção dos jogadores da seleção brasileira.

 

O povo brasileiro aguardará mais quatro anos pela Copa do Mundo de 2030. Antes disso, porém, haverá outro campeonato, este, sim, com capacidade de influenciar por muito mais tempo não apenas nosso estado de espírito, mas também o cotidiano do país.

 

Em outubro ocorrerão as eleições para presidente da República, governadores, senadores e deputados. Nesse jogo, o resultado não dependerá da habilidade com a bola, mas do voto consciente de cada eleitor, uma decisão individual cujos efeitos serão sentidos por toda a coletividade.

 

Ao contrário do futebol, em que uma derrota logo é superada, as escolhas feitas nas urnas costumam produzir consequências duradouras. Por isso, a importância de um voto consciente, exercido com responsabilidade e espírito cívico, pode contribuir para reduzir o chamado "analfabetismo eleitoral", expressão utilizada para descrever a falta de conhecimento ou de reflexão crítica no exercício do voto.

 

A Copa do Mundo vai terminar. Entretanto, a vida continua e o futuro de uma nação não será decidido em noventa minutos, sem apitos, prorrogação ou disputa por pênaltis. O destino do nosso povo será construído pelas escolhas de toda a sociedade.

 

Samir Lima Habach