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Sábado, 02 de Maio de 2026
POR: Equipe Valle
Video:As injustiças da justiça Brasileira: Acusada injustamente de matar filha com overdose de cocaína relata drama 10 anos depois
As injustiças da justiça Brasileira
Caso foi em Taubaté em 2006; Daniele foi presa e depois inocentada. Na prisão, ela foi torturada pelas presas; livro foi lançado em junho.  
 

Acusada e presa injustamente pela morte da filha de 1 ano por overdose de cocaína em 2006, Daniele Toledo vai contar em um livro o drama que passou na prisão. O caso ganhou repercussão nacional e mudou a vida da mulher, atualmente com 31 anos. "Tristeza em Pó" será lançado na primeira quinzena de junho pela editora nVersos e remonta o antes e depois das acusações, exposição e agressões sofridas nos 37 dias em que ficou presa.

 

A casa simples onde Daniele vive em Taubaté, no interior de São Paulo, não chama atenção. Portas e janelas trancadas escondem quem vive ali. É assim que ela se mantém reclusa, na casa da parente de um ex-noivo. Dez anos depois da prisão, ela, que evita exposição na mídia, diz que o livro "é sua primeira chance de defesa por ela mesma para o mundo".

Exame toxicológico deu negativo para cocaína na mamadeira 

O caso ocorreu em agosto de 2006, época em que a filha de Daniele, Vitória Maria Iori Camargo, sofria com convulsões constantes. Em uma das vezes que passou mal, a criança foi levada ao Pronto Socorro em Taubaté, onde os médicos suspeitaram de um pó branco na boca da bebê.

 

A menina teve três paradas cardiorrespiratórias e morreu. Cinco minutos depois, a mãe recebeu voz de prisão pela polícia, que constatou em um teste rápido que o pó tinha vestígios de cocaína.

 

"Não vivi o luto da minha filha. Ela estava morta, e mal conseguia processar isso, quanto mais aquelas acusações. Eu não conseguia dizer nada, nem me defender", afirmou Daniele.

 

Tortura na prisãoPi
A dor da perda tornou-se física. Na mesma noite, Daniele foi levada para a cadeia de Pindamanhangaba. Reconhecida pelas presas como a mãe acusada de colocar cocaína na mamadeira da filha, Daniele foi torturada. Teve uma caneta introduzida no ouvido direito e foi espancanda pelas companheiras de cela. Depois, foi levada para a penitenciária feminina de Trenebé. No total, foram 37 dias na prisão.

 

Até hoje Daniele carrega as sequelas das agressões na cadeia. Perdeu a audição e a visão do lado direito. O espancamento formou coágulos na cabeça, que causam nela crises de convulsão. O traumatismo intracraniano dos chutes reduziu os movimentos do lado direito do corpo.
 
"Eu sentia o sangue quente escorrer, as partes do corpo começarem a doer e tudo ficou escuro. Ali tudo mudou", disse. No livro, ela conta em detalhes a frieza das agressões, motivadas pelo código de conduta dos presos, que não aceitam assassinos de crianças.
 
A situação de Daniele mudou quando os exames de Vitória ficaram prontos. Os testes provaram que o que houve foi um falso positivo, por conta das medicações que a bebê tomava para conter as crises de convulsão. Daniele foi solta, e a primeira coisa que fez foi visitar o túmulo da filha no cemitério de Tremembé.
 
Cercada de medicamentos e longe das pessoas. É assim que Daniele se mantém depois do que aconteceu. Ela teme os olhares julgadores de quem ainda não a inocentou e quer evitar a exposição do filho, que na época do ocorrido tinha 3 anos e hoje é um adolescente de 13.
 

O caso completa dez anos em agosto, mas as marcas na vida de Daniele estão longe de serem apagadas pelo tempo. Além das lesões físicas, ela sofre com depressão e síndrome do pânico.

 

"Eu tenho medo de aglomerações, eu não posso ir a todo lugar porque as pessoas podem me reconhecer. Elas me apontam, relembram a história. Hoje eu não posso participar da vida escolar do meu filho, não posso trabalhar porque assim que descobrem sou dispensada. Minha vida terminou ali, naquela sala de hospital", diz.

 

Os exames descobriram que não foi a mãe quem matou a filha, mas o que causou a morte ainda é um mistério. Os resultados apenas provaram que o que havia na mamadeira e na boca da criança não era cocaína, mas sim resquícios do medicamento que a criança tomava.

Suspeita inicial foi que Vitória tivesse morrido por ter cocaína na mamadeira em Taubaté (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal) 10 anos depois.


Cercada de medicamentos e longe das pessoas. É assim que Daniele se mantém depois do que aconteceu. Ela teme os olhares julgadores de quem ainda não a inocentou e quer evitar a exposição do filho, que na época do ocorrido tinha 3 anos e hoje é um adolescente de 13.
 

O caso completa dez anos em agosto, mas as marcas na vida de Daniele estão longe de serem apagadas pelo tempo. Além das lesões físicas, ela sofre com depressão e síndrome do pânico.

 

"Eu tenho medo de aglomerações, eu não posso ir a todo lugar porque as pessoas podem me reconhecer. Elas me apontam, relembram a história. Hoje eu não posso participar da vida escolar do meu filho, não posso trabalhar porque assim que descobrem sou dispensada. Minha vida terminou ali, naquela sala de hospital", diz.

 

Os exames descobriram que não foi a mãe quem matou a filha, mas o que causou a morte ainda é um mistério. Os resultados apenas provaram que o que havia na mamadeira e na boca da criança não era cocaína, mas sim resquícios do medicamento que a criança tomava.

 

 

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