Quarta-Feira, 29 de Abril de 2026

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Sábado, 25 de Abril de 2026
POR: Equipe Valle
Baldy sinaliza apoio a Daniel Vilela e defende Bruno Peixoto como vice
Política

Em meio à reorganização das forças políticas em Goiás, o ex-ministro e presidente do PP no estado, Alexandre Baldy, se movimenta para ocupar espaço estratégico na federação com o União Brasil e consolidar sua pré-candidatura ao Senado em 2026. Na entrevista à Tribuna do Planalto, Baldy sinaliza convergência com a base governista ao admitir que “há tudo para consagrar” o apoio ao vice-governador Daniel Vilela, mas deixa claro que a decisão passa pelo alinhamento com o presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, a quem credencia como um “ótimo nome” para a vice. Ao mesmo tempo em que defende a continuidade das políticas bem avaliadas da gestão Ronaldo Caiado, sobretudo em segurança, educação e habitação, Baldy projeta uma disputa eleitoral mais aberta ao Senado, impulsionada pelo sistema de dois votos, e tenta se posicionar como alternativa competitiva dentro da base. No plano nacional, adota um discurso pragmático: reconhece o peso do bolsonarismo, mas defende autonomia regional para que Goiás priorize um eventual projeto presidencial de Caiado, evidenciando as tensões entre alinhamento nacional e interesses locais. Ele avalia que Marconi Perillo não reúne força suficiente para uma disputa competitiva ao governo e aposta na manutenção da hegemonia do grupo governista, ao mesmo tempo em que reforça o papel do centro como fiel da balança no cenário político brasileiro.

 

TRIBUNA DO PLANALTO – Qual foi o impacto da saída de Ronaldo Caiado do União Brasil para a federação?

ALEXANDRE BALDY – Acredito que um quadro como Ronaldo Caiado é sempre muito ruim qualquer partido perder, quanto mais uma federação. É sempre uma perda em vários sentidos e, sobretudo, de que a gente possa ter figuras que estejam alinhadas com a federação para serem estimuladas a candidatura, para que o partido possa crescer e a federação também.

 

Antes da federação, o senhor havia dito que o apoio do PP à reeleição de Daniel Vilela não seria automático. Com a federação isso muda?

Eu sempre esperei a federação acontecer. Era algo que eu já tinha com uma expectativa clara de que seria uma realidade. Eu não podia responder por algo que seria mudado logo adiante, como de fato foi alterado. É um diálogo que a cada dia vem sendo construído, eu tenho toda a predisposição, enquanto presidente do PP, para apoiar o pré-candidato Daniel Vilela. Agora, eu preciso ter junto comigo o Bruno Peixoto, que preside o União Brasil.

 

O apoio a Daniel Vilela não está definido ainda?

Essa definição acontece nas convenções. Eu acredito que a gente tem tudo para consagrar esse apoio ao pré-candidato Daniel Vilela. Eu posso responder pela minha parte, mas, quando estabelecemos uma federação, precisamos ter as duas partes.

 

A candidatura do senhor ao Senado é pela federação ou pela base do governo?

 

A candidatura tem que ser dos dois, porque se nós pertencemos à base do governo e a base do governo deseja ter a federação, eu creio que ela seja dos dois.

 

Há espaço para o PP reivindicar a vice na chapa majoritária? 

Acredito que a federação tem espaço para que ela possa reivindicar, sim, a vaga de vice. Eu não tenho essa predisposição. Agora, um nome como o do Bruno (Peixoto) seria um ótimo nome como o pré-candidato a vice.

 

Marconi Perillo tenta reorganizar a oposição aqui no estado. O senhor acredita que ele ainda tenha força para disputar o governo?

Acredito que a força que ele tem seja insuficiente para uma disputa competitiva ao governo.

 

A segurança pública se tornou uma marca do governo Ronaldo Caiado. O PP defende continuidade ou que um novo governo dessa base possa avançar em novas áreas, caso eleito? 

Eu acredito que não se deve mexer naquilo que está ganhando. O governo Caiado foi um sucesso em muitas áreas e tem uma boa avaliação, senão uma muito boa avaliação. Nessas áreas, deveria manter essa linha de trajetória. Áreas como educação, segurança pública, habitação são áreas que eu dou como exemplo que foram muito bem sucedidas pela avaliação da população. Elas deveriam ser mantidas como política pública de sucesso com a continuidade.Tem que se fazer uma avaliação em geral para acompanhar quais seriam as áreas que não têm a mesma avaliação da população, como essas que eu citei, para que todas possam conseguir de fato ser muito melhoradas.

 

Na parte econômica, de desenvolvimento econômico, desenvolvimento industrial, como o senhor avalia o governo Caiado?

O governo Caiado foi um dos que mais trouxeram investimentos nos últimos anos e décadas. Eu posso dizer que foi o melhor até quando eu mesmo fui secretário de Indústria e Comércio. Eu creio que a atuação do governo foi muito importante, estratégica, porque quando você traz a boa imagem do governo, quando melhora o indicador como a segurança pública, como a educação, a consequência da atração de desenvolvimento econômico, investidores e de investimentos é natural. Sem dúvida que a melhoria da segurança pública em Goiás, a melhoria dos indicadores da educação em Goiás foram muito importantes para que uma equipe competente pudesse atrair mais investimentos para o Estado.

 

A formação das chapas para deputados estadual e federal da federação já foi concluída?

Está concluída. As chapas estão muito competitivas e o nosso objetivo é buscar pelo menos dez vagas de deputados estaduais e pelo menos cinco vagas para deputado federal.

 

E quais são os nomes mais competitivos das chapas?

Para deputado federal, há nomes muito importantes, com e sem mandato. O vereador Sanchez da Federal é um nome que vem realmente demonstrando consistência enquanto vereador e vai buscar uma vaga de deputado federal. Com o mandato, tem o deputado Bruno Peixoto, um nome que certamente vai despontar, confirmando sua candidatura a deputado federal, como um dos mais votados.

 

A federação ainda não decidiu como vai se posicionar na eleição presidencial, se vai apoiar Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado?

 

Ainda não.

 

Ou se vai ter candidatura própria?

Não teremos candidatura própria.

 

Em ambos os casos, o PP é lembrado para indicar o vice. Como o PP de Goiás se posiciona em relação à eleição para presidente?

 

O partido tem que sempre caminhar em conjunto com a direção nacional quando ele tem a convicção de que é o melhor para o nosso estado. Porque por mais que o partido seja uma unidade nacional, são 27 diretórios e cada estado tem a sua particularidade. Eu acredito que Goiás, com Caiado se confirmando candidato a presidente, nós deveríamos apoiar a sua candidatura.

 

Caso a federação apoie a candidatura de Flávio Bolsonaro, como a federação em Goiás deve se posicionar?

Nós reivindicaremos a liberdade de que os diretórios estaduais possam apoiar aqueles que forem melhor para o seu projeto, como o nosso caso, é o desejo pelo apoio ao pré-candidato Ronaldo Calado.

 

O senhor acha que existe espaço para uma candidatura de centro-direita fora da polarização Lula e Bolsonaro? 

Acho que é muito saudável para o Brasil. Não só existe espaço, como é saudável para a política e saudável para que a gente possa arrefecer essa polarização, que faz com que muitas pessoas não possam conhecer, buscar e aprofundar o conteúdo daquilo que está sendo discutido para a melhora do país.

 

O ex-presidente Jair Bolsonaro é sempre muito influente. Inelegível, qual deve ser o peso dele nessa eleição e na montagem de palanques estaduais?

É um líder, sem dúvida alguma. Quando o pré-candidato Flávio Bolsonaro é lançado, já alça números bastante auspiciosos pela liderança que o pai exerce. É indiscutível que a pessoa de Jair Bolsonaro exercerá uma liderança que é estratégica para as pré-candidaturas em todo o Brasil, em qualquer uma das posições.

 

Aqui em Goiás, Wilder Morais se beneficiará dessa influência?

Certamente. Eu acredito que Wilder irá com Daniel (para o segundo turno) pela influência que Bolsonaro e o bolsonarismo exercem em Goiás.

 

Como avalia o desempenho do governo Lula, especialmente nas áreas de economia, infraestrutura e articulação política?

Acredito que a economia hoje, com os índices de desemprego baixos, um volume de geração de riqueza e o PIB brasileiro evoluindo, está indo bem; pode não estar tão bem quanto o nosso desejo, mas a economia está indo bem. O governo deixou muito a desejar na articulação política e projetos importantes perderam a chance de serem aprovados. Quanto à infraestrutura, é difícil falar, né, porque o Brasil tem realidades distintas. Outro dia, o ministro do transporte estava dando ordem de serviço em Águas Lindas para um projeto importante de expansão das vias que ligam a rodovia entre o Distrito Federal e Goiás. É um país muito diverso, muito plural.

 

O Centrão tende a aumentar sua força na próxima eleição? 

Acho que o Centro sempre terá força pelo fato de que ele sempre é o equilíbrio entre essa polarização, esse debate que pode ser ou não ideológico, e que vai dar esse equilíbrio, essa tranquilidade para que a política possa ser discutida naquilo que é de fato o melhor para o cidadão brasileiro, para o Brasil como país. O Centro tem a sua força e deve preservar a sua força, em virtude de que o Congresso, a título de exemplo, representa a sociedade brasileira com a sua pluralidade, a sua diversidade.

 

A partir das pesquisas que já foram feitas, como o senhor avalia sua pré-candidatura ao Senado?

Eu coloco minha pré-candidatura com legitimidade, com a força de quem veio de uma candidatura em 2022 e com um trabalho que foi entregue ao longo dos últimos três anos. Quero reforçar o que é importante nessa representatividade, nessa voz do Estado de Goiás  no Congresso Nacional, em Brasília. É muito importante para que se possa entender o que faz um senador da República, qual é a diferença que ele pode exercer na minha vida, no meu umbigo. As pessoas precisam fazer essa avaliação: qual a força que Goiás já teve na representatividade, a força de figuras que tiveram de fato capacidade de influenciar a política brasileira para o bem do estado dos goianos, para a melhoria do estado de Goiás.

 

Considerando que Gracinha Caiado lidera o primeiro e também o segundo voto, a situação dessa eleição não se assemelha à de 2022? Três candidatos disputando uma vaga?

Acredito que não. Pelo fato de terem dois votos, é uma eleição muito diferente de 2022 e muito perigosa, porque os dois votos não são assimilados pela população, que só entende isso muito no final, muito próximo à eleição de fato, que deve votar dois em dois senadores.

 

Isso beneficia quem?

Isso beneficia todos, dá chance a todos que possam crescer, possam buscar o primeiro ou o segundo voto, depende de cada realidade, qual cidade que seja, para que tenham chance de vencer.

 

Qual é o perfil do eleitor do senhor?

Acredito que parte dele seja jovem, parte dele seja aqueles que desejam discutir, debater ou que seja realmente transformacional no Estado.

 

Além de jovem, ele é do setor produtivo? E de qual região? 

Eu acredito que hoje não, porque hoje eu tenho trabalho prestado na habitação, foram dezenas de milhares de famílias que foram acolhidas e atendidas, tenho trabalho e investimento realizado em todos os municípios de Goiás, tenho atuação e história para contar em todas as cidades goianas. Uma pesquisa agora é muito incipiente. As pessoas não estão preocupadas com a eleição e obviamente elas se lembram dos nomes que estão nas suas memórias. Figuras que estejam em maior exposição têm hoje a perspectiva de estarem pontuando muito melhor nas pesquisas.

 

Com a saída do senhor do governo, o PP perde esse espaço no governo?

Esse espaço era de um convite aceito a mim. Eu não considero que o PP tenha esse espaço no governo. O espaço que o PP tem no governo ele preserva com a indicação de Joel Sant’Anna Braga como secretário de Indústria e Comércio. E o espaço na Agência de Habitação era do ex-ministro Alexandre Baldy, não é um espaço que o partido ganhou e agora perdeu, mas um convite que o governador Caiado à época fez a mim pela minha trajetória e minha capacidade de poder entregar dentro da pasta de habitação.

 

A BYD entrou e saiu da última lista suja divulgada pelo Ministério do Trabalho, e os auditores denunciaram interferência do ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Como avalia a situação? 

Não tenho nada a comentar, porque, como a companhia não deveria ter sido incluída, foi retirada pela decisão da Justiça e assim nós acreditamos que deveria ter sido feito. A BYD não participou e nem foi acusada das atitudes que são colocadas, ela foi parte da solução e não do problema. A minha atuação na BYD não é restrita à articulação institucional da empresa, eu tenho um diretor institucional que toca esse assunto. Eu sou mais ligado ao comercial e ao marketing do que a qualquer outra área hoje na BYD. Mas as pessoas que não conhecem o dia a dia e nem têm esse contato com a empresa, não sabem disso.