GreveEntidades descartam paralisação nacional, mas cobram reajuste do frete após aumento do combustível e nova pressão sobre custos do transporte
A alta recente no preço do diesel voltou a elevar a tensão no transporte rodoviário de cargas e reacendeu discussões sobre possíveis paralisações de caminhoneiros no país. Apesar da insatisfação crescente da categoria com o aumento do combustível, entidades representativas afirmam que não há indicativo de greve nacional neste momento.
Em depoimento exclusivo à Transporte Moderno, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) informou que não há mobilização organizada dentro do sistema sindical da entidade.
Segundo a confederação, que reúne sindicatos e federações de caminhoneiros autônomos em todo o país, nenhuma entidade filiada convocou assembleias ou deliberou sobre paralisações.
“A CNTA representa integralmente os caminhoneiros autônomos em todo o país. Até o momento, não temos notícias de que nenhuma dessas entidades convocou assembleias, deliberou sobre paralisações ou comunicou qualquer movimento organizado nesse sentido”, informou a entidade.
Pressão aumenta no setor
A discussão ocorre em meio ao novo reajuste anunciado pela Petrobras. A estatal informou aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras, que passará a R$ 3,65 por litro a partir deste sábado (14).
O reajuste ocorre após a disparada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo agravamento do conflito no Oriente Médio, que elevou o valor do barril de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100.
Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o aumento corresponde a R$ 0,32 por litro no diesel B, comercializado nos postos. Segundo a Petrobras, a participação da companhia no preço final do combustível será, em média, de R$ 3,10 por litro.
A empresa afirma que o impacto ao consumidor final tende a ser parcialmente compensado por medidas anunciadas recentemente pelo governo federal, como a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e a criação de um programa de subvenção para produtores e importadores.
Ainda assim, especialistas avaliam que o reajuste praticamente neutraliza o efeito das reduções tributárias anunciadas pelo governo.
De acordo com a Petrobras, mesmo após o aumento, o preço do diesel vendido às distribuidoras acumula queda real de R$ 0,84 por litro (29,6%) desde dezembro de 2022, considerando a inflação do período.
Medidas para conter impacto
Representantes do setor afirmam que a escalada do combustível pressiona os custos operacionais do transporte rodoviário de cargas.
Segundo Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), a entidade vem cobrando providências do governo federal diante da alta dos combustíveis.
De acordo com ele, a associação enviou ofícios à Casa Civil e a outros órgãos federais solicitando investigação sobre possíveis distorções na formação de preços do diesel.
“A gente está acompanhando o cenário internacional e sabe que os conflitos no exterior impactam o preço do combustível. O governo federal tomou uma medida importante ao zerar o PIS e o Cofins, mas precisamos de um mecanismo de equilíbrio para que a categoria consiga trabalhar e a sociedade não sofra com essa instabilidade”, afirmou.
Landim informou ainda que representantes da categoria participaram de reunião com a Casa Civil e outros órgãos federais para discutir o tema. Segundo ele, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) se comprometeu a ampliar a fiscalização sobre a cadeia de distribuição de combustíveis.
O dirigente também defendeu a atualização da tabela de frete pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). “O transportador não pode trabalhar abaixo do custo operacional. É preciso aplicar o gatilho de reajuste na planilha de custos para que o aumento do diesel seja repassado ao frete”, afirmou.
Além das medidas federais, Landim pediu que governos estaduais avaliem a redução do ICMS sobre o diesel como forma de aliviar a pressão sobre o setor.
Categoria diverge sobre paralisação
Apesar da insatisfação com o custo do combustível, outras entidades representativas da categoria rejeitam a convocação de uma greve nacional neste momento.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) avalia que uma paralisação poderia provocar desabastecimento e ampliar os impactos econômicos no país.
A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos de Cargas (Conftac) também afirmou, em nota, que não há indicativo de paralisação nacional em andamento, classificando rumores sobre greve como especulações.
Mobilização localizada em Salvador
Enquanto entidades nacionais descartam uma greve ampla, uma ala de caminhoneiros ameaça realizar uma paralisação de 24 horas na região do porto de Salvador, movimento apoiado pela ANTB (Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil).
Segundo a associação, a mobilização está relacionada a mudanças nas regras de triagem de cargas no porto. A nova regra exige que o motorista transporte o contêiner até o setor de triagem antes da descarga, ampliando o percurso em cerca de 10 a 15 quilômetros e aumentando o tempo de espera para liberação da carga.
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