Sábado, 21 de Outubro de 2017

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Domingo, 08 de Outubro de 2017
POR: Equipe Valle
Saiba quem é Heley Abreu, a professora que morreu ao salvar crianças em creche de Janaúba
Policia

Morreu na noite da última quinta-feira (5), a professora Heley Abreu, que lecionava na creche Gente Inocente, na cidade de Janaúba, Minas Gerais, local que foi incendiado pelo vigia Damião Soares Santos, de 50 anos. A professora, de 43 anos, teve 90% de seu corpo queimado quando tentava salvar seus alunos das chamas e impedir que mais vítimas morressem.

 

Com as portas trancadas, a saída de Heley foi retirar as crianças pela janela, apesar de ter seu corpo coberto pelo fogo. “Ela ficou mais ferida porque estava com os alunos no pátio quando o sujeito chegou, Lutou com ele para salvar os alunos”, explica Kristina Magda, irmã de uma das professoras da creche.

 

Heley era professora há quase 20 anos e bastante querida na cidade, pelo seu amor às crianças. De acordo com o jornal O Tempo, a mulher perdeu um filho recém-nascido que morreu afogado em uma piscina. Mesmo grávida e tendo sofrido com a tragédia, continuou a dar aulas para outras crianças.

 

De acordo com a polícia, o crime, que até agora vitimou fatalmente oito pessoas, foi premeditado. O vigia tinha problemas mentais e era obcecado por crianças. De acordo com um relatório do Centro de Apoio Psicossocial, Damião estava em tratamento psiquiátrico desde 2014 e sofria de manias de perseguição. Ele havia afirmado à família que “daria um presente” a eles. “Ele disse na última terça-feira, que daria um presente a todos, se matando em breve”, declarou o delegado que cuida do caso.

 

SOBRE A PROFESSORA

 

Dedicada ao que fazia, a pedagoga estava sempre preocupada em promover novas formas de ensino para que os alunos tivessem melhor desempenho no aprendizado.

 

Uma das principais bandeiras de Heley era a inclusão de alunos com algum tipo de deficiência, área em que se especializou em 2016. “Era uma aluna preocupada com os rumos da educação, discutia métodos, queria maior interação, fruto do amor que tinha pela sala de aula e seus alunos”, disse a pedagoga Tania Maria Silva, professora de Heley no curso de pós-graduação em Educação Especial Inclusiva.

 

No Centro de Educação Municipal Gente Inocente, a creche onde ocorreu o incêndio, Heley lecionava desde 2016, quando ingressou por concurso nos quadros da Prefeitura de Janaúba, cidade de 71 mil habitantes no norte de Minas Gerais. Segundo a prefeitura, “vinha realizando um ótimo trabalho, aliando a diversão ao aprendizado”.

 

Para a Semana da Criança, cujo ápice das comemorações seria nesta sexta-feira, tinha preparado uma série de atividades na creche. No momento do incêndio, por exemplo, tentava mostrar às crianças a magia do cinema, com pipoca e doces.

 

Os amigos falam em atitude heroica. Heley morreu salvando as crianças das labaredas, colocando algumas por cima da janela.

 

Seu corpo foi encontrado ao lado do algoz, o vigia noturno da creche Damião Soares Santos, um homem solitário de 50 anos que nunca casou nem teve filhos, e que durante o dia vendia picolés feitos por ele próprio para completar a renda.

 

Na creche, Heley e Damião tinham relacionamento profissional considerado normal, assim como com qualquer outro funcionário. No momento do fogo, contudo, a professora entrou em luta corporal com o vigia, numa batalha arriscada pela vida das crianças.

 

Fora da escola, Heley tinha uma vida social dividida entre atividades religiosas na Pastoral da Família, da Igreja Católica, onde era membro ativo dos encontros de casais, e os churrascos que adorava realizar com as amigas. “Era uma pessoa que estava sempre alegre”, disse Dilzane. (Com informações do UOL)